Fernanda Paz
by on 4 Maio, 2023
178 views

Há pelo menos dois anos vivendo num centro planetário bastante particular fui me dando conta com mais profundidade não somente dos processos de cada ser humano que transita pelo meu caminho, mas também dos seres de outros reinos como os animais e as plantas. Creio que falar sobre os animais valerá um texto exclusivamente voltado para eles. Por agora tentarei traduzir um pouco minhas percepções e sentimentos sobre o Reino Vegetal.

O Centro Planetário conhecido como ERKS, localizado na região das serras cordobesas na Argentina, cumpre um papel de contribuir para a formação interna do ser humano, preparando cada ser para reconhecer e contatar conscientemente sua essência imaterial. Com um trabalho invisível este Centro é uma fonte de impulso no caminho iniciático. Há os que dizem que tudo o que acontece no planeta, a nível energético e vibracional, passa por aqui primeiro. Por isso, pessoas mais sensíveis podem perceber toda a maravilha das energias mais puras de luz como também podem se atormentar com a confusão da obscuridade. A nível externo, trata-se de uma região com fatores climáticos extremos e consequentemente uma vegetação bastante atípica com árvores de médio porte e pequenos arbustos com muitos espinhos.

O fato é que cultivar uma horta ou plantar qualquer coisa por aqui não é simples. Para além da falta de água quase todo ano, a terra é seca e com muitas pedras. São inúmeras as tentativas dos que vivem por aqui e a aprendizagem não acaba nunca. Diferente de outros lugares, para semear aqui é costume observar os calendários biodinâmicos, onde de acordo com a lua se sabe melhor que tipo de vegetal semear, podar, plantar ou colher.

Mas, o fato de essa região contar com uma energia pontual, percebi que as plantas por aqui também respondem diferente ao que muitas mentes entendidas do tema sugerem. Nem sempre ao semear uma semente na lua indicada a planta vai bem. Outras ficam lindas totalmente fora de época. Há algumas tomateiras que seguem dando frutos em pleno inverno, enquanto uma planta de manjericão é capaz de seguir dando flores mesmo depois de já ter deixado para a terra uma grande quantidade de sementes.

Fui compreendendo que o Reino Vegetal por este Centro também passa por um processo de transformação profunda. Algumas flores se conectam mais facilmente com aqueles que a cultivam. Outras simplesmente se transformam em casa de hospedeiros como pequenas “pragas”, que na verdade sabemos que não são “pragas”, mas sim o resultado de um desequilíbrio a nível planetário que favorece um aumento da presença de certos insetos.

Então busquei uma planta muito conhecida na região de Minas Gerais no Brasil, a famosa Ora-pro-nobis para cultivar aqui. Conseguimos quatro esquetes, duas plantamos em baldes de vinte litros e outras duas doamos de presente a amigos. Conhecida popularmente como o “bife vegano” no Brasil por apresentar grande fonte de proteínas e outros valores nutricionais muito benéficos para a saúde, esta planta é caracterizada por se adaptar mais em regiões de clima quente.

O fato é que nossa Ora-pro-nobis, ainda que dentro de bales de 20 litros, vem se desenvolvendo maravilhosamente bem e mesmo já com as quedas de temperatura do outono argentino, já desenvolveu grandes ramas e espinhos, como que entrando numa sincronia com o clima daqui.

O Reino Vegetal é uma grande escola e o fato é que ao se tratar do cultivo das plantas nesse ponto do planeta, a tarefa parece ainda mais trabalhosa porque exige de cada um de nós uma profunda sintonia com o elemental das plantas, que uma vez contatado, te transmitirá por uma espécie de intuição-telepática, exatamente o que precisam: se querem mais o menos água, onde querem ser plantadas ou transplantadas e até mesmo se precisamos fazer algo. Muitas vezes, simplesmente deixar a planta se desenvolver sozinha, é onde encontramos os melhores e inesperados resultados.

Assim, aos que pensam em viver por esta região do planeta acreditando que será um próspero campesino, há que ter em conta que boa parte do desenvolvimento da grande maioria dos cultivos por aqui depende muito mais de como anda o seu trabalho interno que externo. Mais uma vez, o Reino Vegetal sendo grandes mestres e nos ensinando a maestria na paciência, no desapego e na entrega de expectativas. Cultivar pelo cultivo em si e não para esperar que a terra nos dê algo em troca. Simplesmente procurar ser e fazer, sem nada esperar.

Fernanda Paz
Foto: Ora-pro-nobis plantada no balde de vinte litros em Capilla del Monte, Argentina.

Posted in: Reflexões
Like (1)
Loading...
Love (1)
Loading...
2