Murillo Francisco Cason
by on 30 June, 2020
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O evangelista Lucas registrou o inesquecível diálogo de Jesus com o doutor da lei, que, tentando o Mestre, perguntou o que fazer para herdar a vida eterna? Jesus respondeu com o Maior Mandamento, aquele de amar a Deus e o próximo como a ti mesmo. Todavia, antes, Jesus indagou ao doutor da lei como se estivesse perguntando a cada um de nós: “Que está escrito na lei? Como lês?” [1].

A lógica antropocêntrica-especista afetou profundamente a relação dos humanos com os não humanos e, consequentemente, a forma como se lê os mandamentos divinos. Historicamente, interpretamos que o amor de Deus se restringe somente aos humanos. Que o Maior Mandamento não se aplicaria aos animais e ecossistemas. Que tudo foi feito para servir à espécie humana.

Mas, a literatura espírita, contribuindo para ressignificar esta forma ainda infantil de sentir e ler a lei divina, demonstrou que o Evangelho não tem geografia e que o amor de Deus é ilimitado e incondicional, pouco importando a espécie e o reino em que o ser espiritual estagia na sua jornada rumo à angelitude.

É aí que se insere a ética animal (e ambiental) espírita, ajudando a retirar as camadas que se sobrepuseram ao entendimento humano e prejudicaram sua relação com os animais e a Natureza, quando excluíram das suas considerações morais os direitos divinos dos animais.

Por isso que quando a benfeitora Joanna de Ângelis discorreu sobre o cumprimento do Maior Mandamento, meta de todo cristão, frisou: “ama pelo caminho, quanto possas, plantas, animais, homens, e te descobrirás superiormente amando a Deus”. [2]

No mesmo passo, também ao discorrer sobre o Maior Mandamento, disse o benfeitor Emmanuel: “Escuta a Lei Sublime do Bem (…) nas páginas vivas da Natureza, aguardando a tua piedade para as árvores despejadas, para as fontes poluídas, para as aves sem ninho ou para os animais desamparados e doentes.” [3]

São inúmeros os espíritos que ao discorrer sobre o Maior Mandamento e também sobre a Lei de Justiça, Amor e Caridade afirmaram, obviamente, que para cumpri-las devemos vivenciar e movimentar o amor a favor de toda a Natureza e não só dos seres humanos.

Também nesse sentido, nos ensinou Allan Kardec: “Não […] se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus” [4].

Como amar a Deus sem amar a Sua Criação?

A espiritualidade suplicou um novo pensar, olhar e sentir. Um novo modo de agir, uma nova ética, uma nova moral, essencialmente espírita, necessariamente inclusiva aos ecossistemas e ao irmão animal.

Que possamos expandir o nosso amor a todos os seres, cumprindo o Maior Mandamento.

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Referências:
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[1] DIAS, H. D. O novo testamento. 1 ed. 6 imp. Brasília: FEB, 2017. Evangelho de Lucas, capítulo 10, versículos 25-29, pp. 309.

[2] FRANCO, D. P.; JOANNA DE ÂNGELIS (Espírito). Leis Morais da Vida. 15 ed. Salvador: LEAL, 2014. 224 p. 2ª parte, cap. 1 “Amar a Deus”, pp. 18.

[3] XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Alma e luz. Capítulo “O maior mandamento”.

[4] KARDEC, A. O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo 15 “Fora da caridade não há salvação”. Item 5 “O mandamento maior. Site da FEB.

 

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